Objetivo

Este blog tem por finalidade reunir criações literárias de escritores independentes. O grupo que aqui se apresenta teve início com a Oficina Literária ministrada por Diego Petrarca, mas esta aberta a outros que por ventura quiserem ter seus textos publicados.

sábado, 26 de novembro de 2011

À benção

 Queres saber, filho, o que são as estrelas?  Estrelas são pequenos leds cravados nesta grande placa que alguns chamam de céu.  E o sol?  Bueno, o sol é uma grande lâmpada incandescente cujo tungstênio nunca morre.  Aliás, filho, parabéns pelo teu 30º aniversário.   

(Rafael Muniz Espíndola)

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

ÀS MANIAS - do pobre vulcão

Sim, caiu de uma pequena árvore, aquele pobre vulcão.
Vulcão sulcado...
Veias já lhe aparecem...
Perdeu o verde viçoso que lhe era natural...
Pobre vulcão, cai, e ainda pisoteado, insiste em fazer parte D'aquilo...
Já não nos ajuda mais, ajuda a ficar no chão, aquele pobre vulcão...
ajuda a forrar uma mansão de um sabiá, a ficar ao pé de um jacarandá...
não ajuda em muita coisa o pobre vulcão...
Enquanto cai o pobre vulcão, perde a seiva alaranjada...
e seca antes de encostar o chão
pobre vulcão...

(Rafael Muniz Espíndola)

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Digite o Título Aqui

Letra por letra, palavra por palavra, frase por frase, parágrafo a parágrafo, uma ideia sobre outra, entre outra, junto com outra, entra dentro de outra, uma ideia odeia a outra, outra ama a outra ideia, vírgulas, pontos, e vírgulas, interrogações, interjeições e exclamação, reticências, pensamento não reticente…

(Rafael Calçada)

"Linearidade".

Aqui escreveram mãos de alguém com pensamentos lineares, lineares tangentes a outros pensamentos circulares; pensamentos lineares dado que são em linha, mas lineares curvos. Opa! Pensamentos lineares não-tangentes – tangentes não são curvas… pensamentos que são curvas secantes à pensamentos circulares. Raros pensamentos lineares retos, raras funções afim. Raras também as curvas tangentes. Opa! Errei novamete… pensamentos lineares curvos poderão tanger pensamentos circulares, embora isto seja mais raro que funções afim e curvas que tangem.
 
(Rafael Calçada)

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O Mecanismo


 
Cristina olhou o relógio, ainda faltava muito para o término da aula. Pensou nisso com extensa sofreguidão como se sua vida fosse acabar antes que pudesse articular o pensamento seguinte. Respirava com dificuldade, fruto do cansaço e de um resfriado. Na verdade vivia á algum tempo em dificuldade.  A timidez a ameaçava sempre feroz, e muitas vezes lhe condicionava as reações. Não temia as pessoas, mas sim o mecanismo obscuro que sorrateiramente trabalhava em seu corpo fustigado pela magreza e que a fazia sofrer. E ele não o fazia por uma questão de autopreservação, instinto bruto de sobrevivência, longe disso, fazia-o para castigá-la, para sentir o frêmito de vergonha que a ruborizava e as contrações estomacais que invariavelmente acabavam em diarréia. Porque ele - o mecanismo - julgava-se tão mais importante do que ela, o verdadeiro dono daquilo que ela, em matéria e espírito, sentia ao comer, dormir ou trepar, ainda que apenas se masturbasse ou suasse frio em privação.  Por sua vez, paradoxalmente, ela o sentia como parte íntima de si mesma e como unidade distinta e autônoma, dotado de força maior que a sua. O mecanismo fora acalentado anos a fio, provavelmente como uma forma de punir-se, ou sistema de defesa, ou nem uma coisa nem outra. Era sua obscuridade misteriosa e sem propósito que a assolava, sua intimidade tão familiar e acolhedora que a aprisionava naquele vórtice cruel de vergonha e desamparo.
Quando o jovem colega, sentado a classe vizinha, na verdade uma mesa fazia ás vezes de trincheira entre ambos, tocou-lhe o braço e estendeu a mão segurando uma barra de chocolate pela metade, sentiu os maxilares se deslocando, arrastando os dentes uns contra os outros. Os músculos da face se contraíram deformando aquilo que deveria ser um sorriso. Entorpecida pelo sono que lhe caía sobre os ombros, acumulado de meses inteiros dormindo tarde da noite e acordando na primeira hora da manhã, Cristina mal conseguia perceber o que ocorria ao redor; seus colegas, calados e tristes, apagavam os olhos e escorriam das cadeiras lentamente até o chão, aninhando-se como roupa gasta e suja. O chocolate ali parado naquela mão enorme e um tanto intransigente, pois que não se movia e mantinha-se fixa estendendo a barra marrom enrolado em papel alumínio, exigindo uma resposta, mostrando-lhe que não podia ser ignorada, ainda que pudesse se travestir de outras coisas, de ofensas ou monstruosidades. A mão severa, como se tomada de chocolate, dedo por dedo, longas barras de unhas molengas. Um calafrio percorreu-lhe o corpo debilitado. Não foi que tivesse sentido fome ou desejado a morte daquele rapaz, ou a sua própria, foi o esgotamento, um instinto cego e mecânico. A boca encheu-se de sangue, dedos e chocolate. Mastigou-os tomada de vontade e desejo, como se trepasse com eles. O jovem foi transpassado por uma dor muda. Contorcia-se ao chão com a boca escancarada, de lá, porém, nenhum som escapava. Com a destra segurava a mão mutilada enquanto o sangue lhe escorria vertiginoso pelo braço. A professora não percebera o que acabara de ocorrer ou, pior, dava a impressão de não estranhar o incidente. Talvez não o tivesse registrado no cérebro. Cristina levou a mão à boca a fim de que nenhum naco lhe escapasse.  Mastigava-os com incontido prazer. O rosto, antes pálido, foi se banhando de uma luz avermelhada. Ajoelhou-se ao lado do colega afônico e pôs-se a comê-lo, primeiro o restante da mão, depois o braço e o peito. A essa altura a professora havia parado a aula e repreendia os alunos que não cessavam de escorrem das cadeiras.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

sábado, 17 de setembro de 2011

Do embaraço do Traço

A mão treme o traço o traço treme a linha a linha rasga papel papel conta história traçada pela linha que treme a mão acariciando a mania de por o pé no chão embaraçando o traço volto aos pés descalços sob o motivo da linha do embaraço do traço__________________